Curso de Férias: “O Poder das Redes Sociais Aplicado ao E-Commerce Usando Webanalytics Através do Engajamento de Usuários Alfa”

Ainda fico em dúvida do que é mais patético. Um palestrante que ganha um troco extra dando palestra sobre o “O Poder das Redes Sociais” pra empresários cinquentenários não-habituados com tecnologia ou aqueles publicitários desesperados tentando emplacar um viral contando uma história de vida falsa. O pior é que isso chama atenção daquela pessoa jurídica, que tá lá no seu segmento honesto, o Rei do Látex, que há 50 anos confecciona luvas pra empresas de limpeza e manutenção de edifícios comerciais. O cara quer saber qual é dessa turminha privilegiada que ele ouve falar tanto na televisão. Daí surge como aparição, similar aquela do Mefistófeles diante de Fausto, o “Profissional de Mídias Sociais”.

Pausa pra dissipar o gelo seco.

Não existe profissão com mais charlatão hoje em dia do que na área de mídias sociais. É o equivalente  ao caixeiro-viajante do século XXI. E o tônico rejuvenescedor seria o tal RETURN OF INVESTMENT, que usa um algoritmo obscuro que o Rei do Látex finge entender em uma apresentação bonita no Power Point feita pelo tal analista.

Daí o Analista de Mídias Sociais contrata um estagiário pra “produzir conteúdo”. Um moleque que está no 2º período da faculdade que fica o dia inteiro no Facebook alternando entre sua conta pessoal e a da empresa, pra postar coisas tipo “CHEGOU SEXTA-FEIRA….. PARA A NOSSA ALEGRIA!!! O/”, numa conta que produz luva de limpeza.

O Rei do Látex não tem certeza se aquele investimento em dinheiro tá dando retorno: o público dele talvez nem se dê ao trabalho de estar nas redes sociais. Mas toda empresa tem que estar.  Daí ele vai lá e tira paga o sujeito que, recebendo aquela grana, fica um pouco menos confuso sobre a real utilidade da sua profissão. Se estão pagando, quer dizer que ele tem utilidade como profissional.

Existe muito amadorismo no meio e muita euforia em “gastar menos e ter mais exposição”, o que leva o nível muito pra baixo. Grande parte dos ditos especialistas em webmetrics, e-commerce e todos esses termos que você costuma ver em palestra em empresa de seguro são pessoas rasas. Um milhão de ferramentinhas falcatruas que impressionam cliente, mas base teórica sobre cybercultura, teoria de rede e até cultura geral é baixa. Aquela galera migrada das exatas que ainda não entendeu como gente funciona.

Eu compreendo essas empresas, mas lamento que elas desperdicem o dinheiro com os charlatões ao invés de procurar bons profissionais na área, que infelizmente são minoria. Talvez, como Fausto, fosse melhor ter envelhecido com dignidade.

 

 

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