Um espectro ronda a Gávea – o espectro do olhar pokémon. Marcelo Camelo denunciou a novidade virulenta que assola a indústria artística que, ao invés de manter um jabá por dez anos, agora mantém apenas por duas semanas.
Já gostei muito do trabalho do Camelo… mas antes dele começar a fingir que é maluco. O problema do artista que quer se pintar de maluco é que ofende os malucos de verdade, como o Arnaldo Baptista. Não sei qual é a diferença entre acreditar que vê discos voadores como o Arnaldo ou comparar Mallu Magalhães aos Racionais MC’s , como o Marcielo mandou faz uns dois anos.
Como herdeiro do foclórico-rococó, que tem Gonzaguinha como ídolo máximo, o sujeito veste um discurso de “cheiro de terra molhada” que é típico do seu nicho de séquitos.
É aquela famosa carência de ter os pés descalços, típica do rico do primeiro mundo, só que pintada com o jequismo brasileiro. A família européia que vai passar as férias na Tailândia em um hotel cinco estrelas e se sente em um filme do Indiana Jones. No Brasil o equivalente é ir pra Natal com o dinheiro que você ganhou como publicitário na agência África. É a burguesia que compra suco de laranja caríssimo porque “vem com gominho”.
O burguês sem agrotóxico é o sujeito que canta sobre o sabiá com a vivência de quem só conhece pombo. Faz poema sobre a amendoeira mas não sabe diferenciar uma árvore da outra na rua. E assim, eu não estou falando que o sujeito deve explodir um orfanato pra se colocar na posição de um psicopata, mas eu teria vergonha de viver defendendo no meu cotidiano um discurso pastoril sobre as relações humanas sendo criado entre viagens a Europa e gadgets da Apple. Ler uma revista chamada Piauí mas não consegue apontar o estado no mapa.
Serve como alento saber que o sujeito que realmente vive com restrições ao mundo moderno caga pra qualquer discurso desses caras, pelo menos até certo nível. Um figurante pobre de um documentário do Walter Salles é empurrado pro tapete vermelho como um totem perdido de uma antiga civilização. Depois cada um volta pro seu flat e o sujeito volta pros confins do esquecimento. E o burguês sem agrotóxico acha que isso é valorizar uma vida com valores perenes, que ganhamos mais uma batalha contra o “olhar pokémon”.
Estudantes de arte que são sustentados pelos pais do mundo inteiro, uni-vos!

14/04/2011 ás 9:50 pm |
Assim, palavras de uma estudande de física médica que lê Piauí escondido (e sabe apontar o estado no mapa): adoro seus textos, até pq penso muito do mesmo.
15/04/2011 ás 11:14 am |
Gostei muito do seu texto, mas principalmente da sua crítica à burguesia, e à superficialidade dela. Mas o artista, pra mim, tem o direito de fazer o que quiser.
16/04/2011 ás 12:26 am |
muito bom seu texto… mostra como é nojento o meio das pessoas que aplaudem o intelectualismo de twitter…
16/04/2011 ás 1:43 am |
incrivel o texto. tambem já gostei bastante do camelo enquanto artista e, ainda me esforça pra fazer vista grossa pralgumas barbaridades que vem dizendo.
mas, pra mim, a maior delas não é nem se colocar na posição de poeta que finge tão completamente e blablablá mas sim o posicionamento político com relação à propria obra. nessa mesma entrevista do “pokémon” ele falou a respeito dos direitos autorais e deixou claro nas entrelinhas que é contra o que vem acontecendo an internet a esse respeito e que todo artista tem suas contas pra pagar. ora. fiquei embasbacado com um pensamento tão retrógrado vindo de uma banda que pensava tão à frente e que rompéu com a gravadora arriscando tudo em nome da liberdade. alem do mais, esse foi o mesmo cara que neses devaineios inventados criou a “orquestra youtube” onde enaltecia justamente isso que hoje quis ser contra. pra mi essas são as maiores loucuras. enfim. mais uma vez parabéns pelo texto.
16/04/2011 ás 10:00 am |
É a culpa judaico/cristã que faz valorizar o que não é seu culturalmente. Inútil e falsa. Se cada um criasse sobre o que conhece seria mais verdadeiro.Ótimo texto.
08/05/2011 ás 12:22 am |
ridiculo seu texto. ataques com pouco fundamento, pegando mote em coisa pequena. nao acho que o trabalho do camelo seja tão ofensivo assim para fudamentar suas farpas. feio. me parece muito mais palavras de quem não tem muito com que se preocupar.
abraço.
08/05/2011 ás 12:23 am |
claro que meu comentário passaria por algum crivo. comum de blogs assim.